Begonha Caamanho, uma das nossas

Escrevi uma biografia de Begonha Caamanho, a autora homenageada com o Dia das Letras Galegas 2026. Trata-se dum relato honestamente parcial, sem pretensões de totalidade, que foca no perfil mais ativista da autora. É publicada junto com um sério estudo da sua obra, cujo rigor é em si um reconhecimento do valor do macrotexto em foco, da mão de Lara Rozados; e um terceiro texto, de Isaac Lourido, que ajuda a perspetivar a leitura e difuminar a distinção entre vida e obra.

A comemoração de uma escritora no Dia das Letras Galegas tem acarretado, historicamente, a normalização da sua figura: a recuperação de aqueles aspetos da sua trajetória que encaixam nos moldes académicos e o subsequente descarte de aqueles outros que os transgridem.

Com este volume pretendemos confrontar a Begoña Caamaño reivindicada pela cultura, pública e privada, da Autonomia. Encontramos em documentos, em conversas e nos seus próprios textos uma Begonha Caamanho que grafava o nome dessa maneira, que escrevia conscientemente situada, que militava com radicalidade no feminismo da diferença e no independentismo galego, que se solidarizava com as presas políticas galegas e do mundo todo, que reinventava as mitologias e as personagens para subverter a ordem patriarcal dos discursos literários e históricos.